Pois é, o tempo passou... hoje, após uma conversa com uma amiga de trabalho, lembrei de uma situação que havia compartilhado por aqui. Entrei, li vários dos textos que escrevi, me emocionei e matei as saudades de quando eu tentava registrar as memórias do que eles faziam e diziam quando pequenos. Os ponteiros do relógio da vida giraram rápido demais. Eles ainda usam bermudas, mas têm, também, bigodes e cavanhaques.
Sinto saudades do tempo em que eles eram crianças. Já me peguei desejando, várias vezes, voltar a um dia desse passado e aproveitar tudo novamente. Com menos rigor e mais simplicidade. Ia deixar eles jogarem bola dentro de casa o quanto quisessem, andarem mais sozinhos pela vida, sem tanto medo da maldade alheia, ia deixar eles serem eles mesmo mais cedo. Não pude fazer diferente e como dizia Chicó, personagem do filme "O Auto da Compadecida", só sei que foi assim...rsrs
Sinto saudade dos abraços demorados, das dormidas no meu colo e das vezes que me contavam coisas despretensiosamente, dividindo suas intimidades infantis. E também certo arrependimento por não ter perguntado mais sobre eles. Criança é um mundo de riqueza e criatividade ainda não remexido pelo tempo.
Dentro do meu rigor de mãe chatinha, tinha uma mãe bastante amorosa. Que queria acertar. Dar atenção, presença. E acertei também. Eles são do bem, humanos e me devolvem a presença com presença, escuta afetuosa e paciência (muita). Hoje vejo que vieram não para serem guiados, mas para mudarem meus pontos de vista com a suavidade de quem não quer estar certo. Me dizem coisas muito especiais, com uma mente fresca e aberta para novas formas de ver a vida.
Sempre ouço o que dizem, mesmo quando discordo. Esses bigodes e cavanhaques sabem muito. Me provam que não preciso me preocupar tanto com o futuro. Ao menos o deles.
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